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Da janela lateral [ 13.set.2009 ] Faz duas semanas que o Villaggio Café fechou as portas. Foram 17 anos de noites e de um tanto de domingueiras dedicadas à música brasileira. Conduzido por Zé Luiz Soares e Rosana Lima por mais de 15 anos - e depois, Zé com Vlado Lima -, o Villaggio foi um dos pontos obrigatórios da noite para candidatos a artistas que queriam aterrissar na capital paulista, como também para nomes com uma trajetória artística acima de qualquer suspeita.
Lembro-me das primeiras vezes que fui ao Villaggio, quando disputei mesas para assistir shows de Guilherme de Brito e de Nelson Sargento. Ainda era 1999, e o Gafieiras ainda não existia. Novamente o Villaggio entra em jogo, agora em 2002. O Gafieiras nem tinha um ano de existência quando entrevistou o compositor, cantor e violonista Moacyr Luz nas mesas externas do bar. Foram quase quatro horas de papo, de bebida e de música que transportamos para o site e um trechinho para o MySpace. Nessa época, já morando num apartamento sobre o Villaggio – de propriedade do Zé Luiz -, além dos chopes servidos pelo Barbosa – o garçom-símbolo do bar –, veem outras duas cenas à cabeça. A primeira: estava parte da equipe do Gafieiras no Villaggio, onde os amigos do Quarteto de Cordas Vocais (QCV) haviam apresentado um show com repertório de Adoniran Barbosa, que contou com a presença sorridente de Mauricio Pereira. Lá pelas tantas, com a casa vazia e o papo rolando, Max chega com Bruno Medina e Marcelo Camelo – para quem não conhece, o tecladista e o guitarrista-cantor-compositor do Los Hermanos. O violão passou de mão em mão, Adriano e Alessandro Dias, do Quarteto, tocaram Mulheres Negras, com participação vocal de Mauricio; Camelo mostrou um samba antigo, e o resto ficou perdido nas mesas. Outra vez, eu e Zé Luiz estávamos na frente do bar, enquanto, lá dentro, o Quinteto Branco e Preto e Beth Carvalho passavam o som. Enquanto a conversa corria, um sujeito maltrapilho, com uma mochila nas costas e uma flauta doce na mão, faz o trajeto para entrar no bar. Zé Luiz se levanta da mesa e para o andarilho. Ele diz que gostaria de assistir o show, que é músico, que conhece samba e choro, que se comportaria e coisa e tal. Zé Luiz deixa o rapaz entrar. Pouco depois, Magno Souza, do Quinteto, chega eufórico à mesa em que eu e Zé Luiz conversávamos. “Zé, sabe quem está aí dentro? É o Charles da Flauta!”. Atração da noite, o ex-menino prodígio deixou Beth Carvalho de boca aberta. Segundo soube na época, Charles não havia voltado à penitenciária depois de um indulto qualquer. Mais outra: num impensável sábado de manhã, Zé Luiz levou Jards Macalé ao Bar Cu do Padre, em Pinheiros, onde a tropa do Gafieiras esperava o músico que, à noite, tomaria o palco do Villaggio. A entrevista está no ar e uma de suas imagens ilustram o MySpace do Gafieiras. Todas as histórias contadas acima são da época do Villaggio no Bexiga, em frente à praça Dom Orione. Da fase em Pinheiros, para onde se mudou em 2007, tenho poucas lembranças. Uma delas, quando Zé Luiz convocou a mim e ao Dafne para contar da despedida do Villaggio e do acervo sonoro e visual que colheu nesses anos todos. Ali nascia, mais uma vez, uma parceria entre o Gafieiras e o Villaggio. A partir de outubro, esta coluna trará trechos em áudios de shows que deram o que falar. Gente como Guilherme de Brito, Nelson Sargento, Moacyr Luz, Luiz Carlos da Vila, Marisa Gata Mansa, João Pacífico e outros. Além de fotos, a coluna contará ainda com pequenas histórias narradas por Zé Luiz Soares. No texto seguinte estão quatro vídeos amadores da última noite do Villaggio Café, 29 de agosto. Como a casa estava lotada, o jeito foi arrumar um canto no corredor externo e, sobre um banco, fotografar e filmar através de uma janela lateral. Dali vi e ouvi alguns amigos-artistas da casa, como Moacyr Luz, Tavito, Filó Machado, Maurício Pereira e Daisy Cordeiro, cantarem e confidenciarem momentos vividos no bar. Bom, o que o Gafieiras pretende com esta coluna também é driblar a sina de outras casas marcantes em São Paulo, como a do Vou Vivendo, Teleco Teco, Jogral e Juão Sebastian Bar, que ficaram apenas na lembrança de seus ex-frequentadores. No decorrer dos anos, o próprio Zé Luiz correu atrás de registrar a história do bar. Além do site oficial, lançou um CD em 2003, e criou um blog em que narrou a saga do destemido Villaggio. E assim, tanto aqui no Gafieiras, quanto nos terrenos virtuais do Villaggio, compartilha-se a experiência da noite, da boemia e dos bares como palco da música brasileira, que já rendeu muitos calhamaços de histórias e cirroses. (Ricardo Tacioli) E ainda: :: Luiz Carlos do Villaggio. Zé Luiz Soares escreve sobre o sambista Luiz Carlos da Vila (1949-2008) :: Theo de Barros mostra seu novo CD em SP :: Tavito inaugura o novo Villaggio Café Leia também
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