Saideira. Mauricio Pereira, Moacyr Luz e Filó Machado
29 de agosto de 2009
[ 13.set.2009 ] Fundado em 1992 por Zé Luiz Soares e Rozana Lima, o Villaggio Café ficou mais de 15 anos no Bexiga, tradicional bairro paulistano. Sobre seu palco pequeno, com a imagem de Noel Rosa ao fundo, subiram músicos de diferentes calibres e repertórios. Pudera, por ano, a dupla de empresários realizava cerca de 300 shows musicais. Artistas como Toninho Horta, Guinga, André Abujamra, Dona Ivone Lara, Jards Macalé, Nelson Sargento, Billy Blanco, Monarco, Fabiana Cozza, Giana Viscardi, Verônica Ferriani, Zeca Baleiro e Arismar do Espírito Santo passaram por lá.

Antes de abrir a sessão com esses áudios históricos, e respeitando o que foi dito no texto anterior, o Gafieiras disponibiliza quatro vídeos feitos no sábado da despedida, 29 de agosto. Tanto as fotografias, quanto os vídeos foram captados através de uma das janelas laterais do Villaggio. Não foi conceito ou referência ao hino do Clube da Esquina, mas apenas uma questão de sobrevivência. Naquela noite, a casa estava lotada e qualquer aventura frente os espectadores poderia render impropérios que não caíam bem numa despedida.

Quem abriu a sessão de pockets-shows foi Moacyr Luz, que já vinha de uma apresentação no Traço de União e tomava fôlego para encarar outra no SESC Santo André, no domingo à tarde. Anunciado pelo amigo Zé Luiz, Moacyr contou alguns causos e cantou duas ou três composições suas, mas a que a máquina registrou foi “Pra quê pedir perdão?”. Esta é uma parceria com Aldir Blanc e uma das faixas do álbum Mandingueiro, que Moacyr lançou em 1998 pela Dabliú.



Depois foi a vez do mineiro Tavito, ex-Som Imaginário (banda de rock-mpb progressivo do início dos anos 1970), jingueiro de sucesso e autor de clássicos como “Casa no campo”, com Zé Rodrix, e “Rua Ramalhete”, com Ney Azambuja. Na despedida do Villaggio, o músico que inaugurou a sede de Pinheiros, soltou a voz e convocou a plateia para acompanhá-lo em “Começo, meio e fim”, outra com sua assinatura, e dividida por Paulo Sérgio Valle e Ney Azambuja. Foi Tavito quem lançou a música em disco pela primeira vez, em 1979, seguido de Zizi Possi (1986) e Roupa Nova (1991).



Mauricio Pereira é outro artista que sempre dominou o palco e o microfone. Dono de um discurso articulado e cheio de interrogações, esse corintiano ponte-pretano transporta sua retórica para canções em que a melodia é centroavante. Antes de subir no palco do Villaggio no dia 29 de agosto, o ex-Mulheres Negras dividiu a janela lateral comigo e com guitarrista Tonho Penhasco, elogiou a química pop de Tavito ao ouvir “Começo, meio e fim” e “Casa no campo” e, claro, falou de uma de suas paixões, as rádios brasileiras – das AM, universitárias, comunitárias e de outras agremiações. Cantou “Modão de Pinheiros”, presente no álbum Mergulhar na surpresa (Lua Music, 1998), e antes mandou uma marcha carnavalesca, antecipando seu próximo disco com a banda Turbilhão de Ritmos, Carnaval Turbilhão.



O compositor, instrumentista, cantor e produtor ribeirão-pretano Filó Machado é uma das figuras obrigatórias da noite paulistana e, claro, do Villaggio. Durante anos, Filó foi quem segurou as temporadas carnavalescas no bar, mas com seu fino repertório meio MPB, meio jazz, meio samba. Violonista que esbanja ritmo e percussão, Filó é um dos músicos que o país ainda não deu a atenção que merece. Com mais de 40 anos de carreira, Filó falou de um encontro que teve com Gilberto Gil nos anos 1970, quando varou a noite com papo, música e o único violão de mão em mão. Confessou que gostaria de ter composto “Expresso 2222”, música gravada por Gil em 1972.



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