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Uma palavra de cada vez Era a segunda vez que o Gafieiras saía de São Paulo para entrevistar alguém. O cantor e compositor Noite Ilustrada foi o primeiro a receber a equipe, lá em Atibaia em 2001. Sete anos depois, já sem o Fusca creme de Daniel Almeida, o Gafieiras corre para Jundiaí, cidade vizinha da capital paulista que hospeda em seus limites o sítio de Ná Ozzetti. Paulistana de voz e alma, a cantora e compositora reside desde 2000 entre árvores, plantas, horta e bichos de diferentes famílias, dividindo o comando com o marido Neco e o pastor alemão Tupi. E foi assim, nesse ambiente brejeiro, que vimos pelo janelão da sala onde instalamos nossos equipamentos a tarde se abrir e se despedir.
Zeladora de uma voz sem fim, Ná tem uma carreira que mescla coerência, ecletismo e ousadia, sempre em combinações aplaudidas pela imprensa e público. Coerência que respeita o universo sem fronteiras construído desde a infância, quando se amarra pela música juvenil de Rita Pavone e Roberto Carlos, e depois pelos repertórios de Elis Regina, Mutantes e Chico Buarque. Como mesmo disse durante o papo de mais de duas horas, “era uma esponja captadora”. Essa variedade que antecede sua carreira profissional ganha novos hectares a partir de sua entrada no Grupo Rumo, ícone da Vanguarda Paulista, onde desbrava o canto falado, craques da era de ouro do rádio, e os primeiros mistérios e fascínios da vida sobre o palco. E assim o tempo passa numa narrativa que avança, ricocheteia e abre outros janelões, revelando cores da trajetória de Ná além daquelas já estampadas nos discos da carreira-solo, das parcerias com Itamar Assumpção e André Mehmari, e dos enlaces em sambas, rocks, MPB e jazz. Equilíbrio que se reflete (ou o contrário) no casamento campo-cidade. Umbilicalmente ligada a São Paulo, com quem alimenta uma relação de paixão (por tudo o que é) e de tristeza (por tudo o que poderia ser), Ná encontrou em seu sítio a tranquilidade da infância, muito mais verde e silenciosa, onde recebe amigos, planta, cuida dos bichos e deixa o tempo ali, vivendo sua própria vida. Uma mesa enorme, cheia de sucos, café, doces, bolos e pães-de-queijo, preparada por Dona Lúcia, mãe de Ná, testemunhou e alongou conversas que ficaram na memória. Na despedida, acenos anunciavam o novo trabalho, o show e CD Balangandãs – lançado no primeiro trimestre de 2009 -, em que reverencia uma de suas grandes influências, a cantora Carmen Miranda. Leia a entrevista
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