Capas de dois discos de Marinês: Outra vez Marinês (1961) e Coisas do Norte (1963)
Marinês, a Rainha do Forró, morre aos 71 anos
[ 15.mai.07 ] Ela nasceu Inês Caetano de Oliveira em 16 de novembro de 1935 na cidade de São Vicente Férrer (PE), mas ficou conhecida Brasil afora como Marinês, a Rainha do Forró. Ontem, 14 de maio, Marinês não suportou um segundo acidente vascular cerebral (AVC ou derrame) em nove dias e morreu, aos 71 anos, no Hospital Português, em Recife (PE). O velório deve ser realizado em Campina Grande (PB).

Seu pai era seresteiro e a mãe, cantora de igreja, e talvez por isso Marinês teve que vencer alguns obstáculos para se tornar cantora. De qualquer forma começou a participar, aos 10 anos, de shows de calouros em Pernambuco, onde conheceu o futuro amigo, e também criança, Genival Lacerda. Foram nessas apresentações que adotou o nome Marinês para que os pais não a reconhecessem. Aos 14 anos se casou com o sanfoneiro Abdias, que então tinha 16 anos, e formaram o Casal da Alegria (os dois ficaram casados até a morte de Abdias em 1991). Em seguida, o casal juntou-se ao zabumbeiro Cacau e formaram a Patrulha de Choque do Rei do Baião para abrir shows de Luiz Gonzaga pelo interior do Nordeste.

Luiz Gonzaga, aliás, foi o grande incentivador de Marinês e lhe ensinou o xaxado. Gravou seu primeiro disco de 78 rotações em 1956, lançado no ano seguinte pela Sinter, apresentando-se como Marinês e Sua Gente. Gravou na ocasião “Quadrilha é bom” (Zé Dantas) e “Quero ver xaxar” (João do Vale, Antonio Correia e Leopoldo Silveira Junior). O sucesso veio no mesmo ano com o segundo disco de 78 rotações que trouxe a dobradinha explosiva “Peba na pimenta” (João do Vale, José Batista e Adelino Rivera) e “Pisa na fulô” (João do Vale, Ernesto Pires e Silveira Jr), enquanto Marinês acompanhava Luiz Gonzaga por shows e programas de rádio no Rio de Janeiro.

Sempre fiel aos ritmos tradicionais do Nordeste, Marinês seguiu firme pelas décadas seguintes e gravou cerca de 30 discos (o primeiro LP, O Nordeste e seu ritmo, saiu em 1960 pela gravadora RCA), cantando xote, xaxado, baião, moda e coco de autores como Jacinto Silva e Rosil Cavalcanti, além dos já conhecidos João do Vale e Zé Dantas. Ganhou prêmios de Melhor Cantora Regional na década de 1960, inúmeros discos de ouro na década de 1970 (como, por exemplo, pelo LP A dama do Nordeste, que saiu em 1974 pela RCA) e participou do Projeto Pixinguinha no início da década de 1980.

Entre seus últimos trabalhos de destaque estão os discos Tô chegando (RCA, 1986), com participações de Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, Dominguinhos e Jorge de Altinho; Marinês e Sua Gente – 50 anos de forró (BMG, 1998), produzido por uma de suas maiores fãs, a cantora Elba Ramalho; Cantando com o coração (independente, 2003), produzido pelo filho Marcos Farias; e o disco-homenagem Marinês canta a Paraíba (independente, 2005), com participação da Orquestra Sinfônica da Paraíba, e que traz um libreto de 52 páginas e um CD com imagens e depoimentos de Paulinho da Viola, Tetê Espíndola e Gilberto Gil. Participou também da comédia Rico ri à toa (1957), filme de estréia de Roberto Farias, e do documentário Viva São João! (2002) de Andrucha Waddington. Marinês foi a primeira mulher a formar um grupo de forró.
Pesquisa por data
© Copyright • Gafieiras • 2002 - 2009 • Todos os direitos reservados.
site: rosselli • v:3.0