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![]() Ah, os anos 1980: acima, Jorge pagando de sonsual; abaixo, Mano Caetano e
Jorge cantando, muy provavelmente, “Ive Brussel” |
Jorge Ben: relançamentos, descoberta e um DVD [ 16.mai.07 ] É isso mesmo! Jorge Ben, o homem do suingue florido, volta às manchetes sob uma avalanche de novidades. Boa parte disso se deve à gravadora Som Livre, onde Jorge esteve de 1978 a 1986, que decidiu lançar pela primeira vez em CD três dos sete discos que fez na casa (os outros quatro já saíram em formato digital, incluindo aí os clássicos Salve simpatia e Bem vinda, amizade). No pacote estão os poucos conhecidos Dádiva (1984), Sonsual (1984) e Jorge Ben Brasil (1986), discos menores em sua carreira, mas indispensáveis, pois ajudam a entender a tortuosa trajetória de Jorge a partir da década de 1980.
Estes três discos caem nas mesmas armadilhas que muitos outros artistas não-jovens se meteram nos anos 80. Para tentar competir com geração roqueira que passou a tomar conta do mercado, tais artistas se cercaram de teclados, guitarras estranhas e timbres que hoje soam terrivelmente datados. Pontos altos existem, claro, e em Dádiva estão “Rio Babilônia” (feita para o filme homônimo de Neville de Almeida) e “Eu quero ver a rainha” (raro dueto com Tim Maia); em Sonsual estão “Irene cara mia”, “My little brother” e “Abenção mamãe, abenção papai” (que resurgiu recentemente no DVD dos Racionais); e em Jorge Ben Brasil, as divertidíssimas “Roberto corta essa”, “Pancada de amor não dói” e “Sasaci Pererê”. No processo de remasterização dos três discos foram achadas músicas inéditas, pedaços, idéias e arranjos inacabados que, a princípio, seriam usadas como faixas bônus. Mas Jorge acabou se animando e terminou uma série de músicas e gravou uma inédita (“Emo”), em um total de 10 faixas. O resultado é Recuerdos de Asunción 443 (Som Livre, 2007), cujo título é uma referência ao endereço carioca da gravadora. O repertório vai de temas descartados para novelas (“Usted es mi marrón glasé” e a deliciosa “O astro”) a homenagens aos amigos baianos (Gil em “Heavy samba (Samba para um poeta amigo meu)”, gravada anteriormente por Leci Brandão, e Gal em “Miss mexe Gal”), passando por “Gama gush”, “Saint Leibowitz”, “Zenon Zenon”, “Duas mulheres” e “Falsa magra” (gravada em 1987 por Branca di Neve). Todas cheias de balanço, bem humoradas e dignas de Jorge, mesmo que não estejam à altura de seus trabalhos nas décadas de 1960 e 70. Outra novidade é o DVD Energia (Biscoito Fino). Gravado em fevereiro de 1982 como um especial da TV Globo, o show traz clássicos (“Santa Clara clareou”, “Mas que nada”, “A banda do Zé Pretinho”, “Taj Mahal” e “País tropical”) e convidados como Tim Maia (“Lorraine”), Baby do Brasil (“Todo dia era dia de índio”), Caetano Veloso (“Ive Brussel”), Luis Vagner (“Luis Vagner guitarreiro”) e Fábio Junior (“Katarina, Katarina”). Nos extras, Gal Costa divide com ele “Que pena” e o jogador Zico (homenageado por ele em “Camisa 10 da Gávea”) aparece no making of de “Para que digladiar”. Leia abaixo a letra da inédita, impagável, reveladora e inadvertidamente irônica “Emo” (para quem não sabe, ‘emo’ vem do inglês ‘emotional’ que define um certo tipo de rock pesado com letras derramadas; no Brasil, algumas bandas emo são o CPM 22, o Fresno e o NX Zero): Emo Emo, emo Entre o ódio e o amor Melancolia, tristeza e alegria Tudo isso num mesmo dia Parecem infelizes, mas são felizes Emo, emo Atitudes desconfiadas Roupas coloridas, transadas Cabelos nem punk nem rastafári Parecem anormais, mas são normais Parecem ilegais, mas são legais Emo, emo Parece um bando desligado Desajustado, descontente, desafinado Mas são contentes, ligados e antenados Nesse mundo globalizado Emo, emo Não deixe de brincar, não deixe de amar Não deixe a felicidade acabar Aproveite a adolescência Essa coisa aborrecente, maravilhosa Sem você perceber vai passar Emo, emo Emoribaô, pra você, meu amigo emo Muita luz, muito sol Muito céu azul Fé em deus e pé na tábua Leia também
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