Thiago Suruagy
O povo da Bomba do Hemetério botando pra quebrar (e Forró na frente, de gravata)
Mais uma orquestra a revolucionar o frevo
[ 23.mai.07 ] Aconteceram muitas coisas com o centenário frevo nos últimos tempos. O ritmo que sempre contagiou os carnavais pernambucanos teve sua tradição novamente louvada no trabalho do cantor, instrumentista e dançarino Antônio Nóbrega, mas o clima começou a esquentar de verdade com a chegada de duas orquestras: a Spok Frevo Orquestra (que estreou em disco há 3 anos com o elogiado Passo de anjo) e a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério. Esta última, liderada pelo carismático Maestro Forró (Francisco Amâncio da Silva, 32), acaba de estrear com o sensacional Jorrando cultura (independente, 2007). Antes do disco, uma breve explicação: Bomba do Hemetério é o nome de um bairro na periferia de Recife, onde sobrevivem reisados, maracatus, cocos, bois e toda uma colorida fauna de brincantes, em meio a desigualdades e violência.

Fundada em 2002, e atualmente com 21 integrantes (18 músicos e 3 técnicos, todos nascidos no bairro), a OPBH pega o frevo e o joga em um caldeirão repleto de mudanças de ritmos, breques e intromissões de côcos, choros, maracatus, emboladas e até de samba de gafieira. E assim o Maestro Forró lidera o grupo em animadas faixas instrumentais como “Frevando em Bomba do Hemetério” (Forró), “Frevando em Paris” (Forró), “Dadinha no passo” (Forró), “Bolada nas costas” (Duda e Waltinho D’Souza) e a clássica “Cabelo de fogo” (Maestro Nunes). O bicho pega ainda mais nas cantadas, tais como o divertido sambão “Tanajura” (Bráulio de Castro), o encontro de Recife com o Rio de Janeiro em “Maracatu sambar” (Parrô) e o maracatu “Suburbano” (Forró). O frevo-do-caboclo-doido também joga a imortal “Vassourinhas” (Matias da Rocha e Batista Ramos) no meio de improvisos populares como “Segura o côco” (Forró) e “Eu canto esse côco” (Zé Amâncio do Côco).

Forró, que foi integrante do Maracatu Nação Pernambuco, também leva a OPBH rumo a outras paragens: durante as festas juninas se transformam no Fole Assoprado e para bailes especiais são o Mega Hits, big band que aliada ao DJ Dolores toca sucessos mundiais em ritmo de frevo. Mas com as antenas voltadas para o próprio bairro, a OPBH mantém a Escola Comunitária de Música Zé Amâncio do Coco que, atualmente e com parcos recursos, atende 28 crianças pela manhã e 32 à tarde, com aulas semanais às terças e quintas-feiras, além do lanche gratuito. Além da iniciação musical, são oferecidas aulas de teatro, danças circulares e culinária natural (para os pais das crianças).
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