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Vanessa da Mata nos lençóis de seu reggae [ 30.mai.07 ] O sucesso popular quase sempre é um mistério, mas a cantora e compositora Vanessa da Mata parece saber alguns de seus caminhos. Após surgir na voz de Maria Bethânia em 1999 com “A força que nunca seca” (parceria com Chico César), a matogrossense lançou seu primeiro disco em 2002 e logo veio o sucesso de “Não me deixe só”. Dois anos depois, o segundo disco Essa boneca tem manual recebeu o disco de platina por causa de “Ai ai ai”, parceria de Vanessa com o produtor Liminha e a música mais tocada nas rádios brasileiras em 2006. Agora é a vez de Sim (Sony BMG, 2007), o terceiro trabalho solo da cantora, e o mais regular e bem produzido de seus discos, que já nasce com muitas novas possibilidades de sucesso. Naturalmente.
Produzido por Mario Caldato e Kassin, o disco carrega em si um acerto de contas de Vanessa com seu passado. Logo que chegou em São Paulo em 1992, a ex-modelo e ex-jogadora de basquete fez parte de um grupo de reggae chamado Shalla-Ball. Três anos depois excursionou como vocalista do célebre grupo jamaicano Black Uhuru. Sim foi gravado entre o Rio de Janeiro e Kingston (Jamaica) e contou com a participação, em cinco faixas, da dupla Sly (Dunbar) & Robbie (Shakespeare), músicos e produtores que já tocaram com artistas como Lee Perry, The Upsetters, Mad Professor, The Skatalites, Jimmy Cliff e, fechando o círculo, Black Uhuru. Nos lençóis do reggae, Vanessa emplaca suas primeiras ótimas e novas composições: as românticas “Vermelho” e “Ilegais”, a ecológica “Absurdo” (que trata da destruição da terra natal da cantora, Alto das Garças, em nome da monocultura da soja), o encontro com o carimbó/guitarrada paraense na divertida “Pirraça” (parceria de Vanessa com Kassin) e a delicada “música de trabalho” feita em parceria com Ben Harper (e com sua participação bilingue), “Boa sorte/Good luck”. Boa parte do imaginário poético de Vanessa versa sobre diferentes fases do amor romântico, do começo ao fim, da paixão ao desprezo, mas sempre em tom maior como uma celebração (nada piegas) à vida. É o caso de “Você vai me destruir”, parceria de Vanessa com Fernando Catatau (Cidadão Instigado) que poderia muito bem ser um atormentado rock jovem-guardista à la Paulo Sérgio, mas que acabou se transformando em uma divertida e visceral disco music. Até mesmo a triste “Amado”, parceria de Vanessa com Marcelo Jeneci, encanta com seus belos pianos, enquanto a dolorida e apaixonada “Meu Deus” ganha leveza latina através dos dedos ágeis de João Donato. Outro exemplo é “Quem irá nos proteger” que cresce sob a influência sonora de Roberto Carlos. Já no quesito canto uma grande referência para Vanessa é a Gal Costa dos anos 1970 e assim nascem músicas solares como “Fugiu com a novela”, “Baú” e “Quando um homem tem uma mangueira no quintal”. A faixa que encerra o disco, “Minha herança: uma flor”, traz pela primeira vez Vanessa cantando e tocando violão. Apenas ela e sua herança. Além de Ben Harper, Sly & Robbie e João Donato, Sim traz a participação de músicos do naipe de Wilson das Neves, Alberto Continentino, Jota Moraes, Don Chacal, Pupillo, Stephane San Juan, Roberto Pollo, Pedro Sá, Armando Marçal, Davi Moraes e Fernando Catatau. O co-produtor Kassin com suas guitarras, baixos e programações tem papel fundamental na regularidade e diversidade do disco e assume de vez a dianteira de uma nova geração de produtores-músicos brasileiros. p.s.: Vanessa da Mata é a primeira artista a participar de um novo projeto da Sony BMG. É o CD Zero, um compacto com cinco músicas (“Boa sorte”, “Baú”, “Quem irá nos proteger”, “Absurdo” e “Quando um homem tem uma mangueira no quintal) a R$ 9,99. O objetivo é combater a pirataria, mas logo saberemos se é mais um barco furado criado pelas grandes gravadoras. Também estará disponível para venda um DVD com o documentário Minha intuição de Bruno Natal com os bastidores da gravação do disco. Leia também
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