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Samba é mpb em Maria Rita e Teresa Cristina [ 08.out.07 ] Por caminhos ligeiramente inversos, duas jovens cantoras mostram que o samba é mpb e vice-versa em seus mais recentes trabalhos. O fenômeno Maria Rita, colocado na prateleira da tal mpb, mudou-se de mala e cuia para o Rio de Janeiro para um mergulho no batuque em Samba meu (Warner, 2007), seu terceiro disco. Já a discreta Teresa Cristina, uma das responsáveis pelo renascimento da Lapa carioca, faz o samba que conhece tão bem se misturar a outros gêneros em Delicada (EMI, 2007), seu quarto disco solo e o primeiro por uma grande gravadora.
Após dois discos de sonoridade cool levados pelo trio piano, baixo e bateria, Maria Rita foi levada pelo amigo e co-produtor do disco Leandro Sapucahy a conhecer o samba carioca, mas com ênfase no fundo de quintal de Arlindo Cruz (seis músicas ao total, entre elas “Tá perdoado”, a música de trabalho). Ao lado de seu trio-base, a cantora ganhou reforço percussivo e o resultado é um disco enxuto, no qual os arranjos do veterano Jota Moraes fazem cama para um canto sofisticado que cruza referências de velhas e jovens guardas. A ênfase no samba de Arlindo Cruz e de um de seus parceiros, Serginho Meriti (com três músicas, entre elas a familiar “Cria” e “Trajetória”, parceria com Arlindo), faz com que Maria Rita se afaste de uma certa nostalgia da era de ouro do samba, o que é sempre saudável para o gênero. Por outro lado a intérprete perde um pouco em variedade, mas acaba se redimindo com belas composições dos jovens Rodrigo Bittencourt (“Samba meu”) e Edu Krieger (“Novo amor” e “Maria do Socorro”), além de regravar músicas menos conhecidas de Gonzaguinha (“O homem falou”) e do repertório de Paulinho da Viola (“Mente ao meu coração”, de F. Malfitano). A fogosa neo-carioca Maria Rita sai do pedestal que a gravadora lhe colocou e coloca os pés firmes no chão. O que é bom para ambas as partes. Teresa Cristina, que sempre esteve com os pés no chão (no início da carreira cantava, e ainda canta ocasionalmente, descalça), saiu da Deckdisc, que lançou seus três primeiros discos, e assinou contrato com a multinacional EMI. Produzido pelo experiente Paulão 7 Cordas, Delicada não difere muito em sua essência dos trabalhos anteriores da cantora e compositora. O Grupo Semente – quarteto formado por Bernardo Dantas, João Callado, Pedro Miranda e Mestre Trambique – segue ao seu lado, assinando os arranjos e tocando muito, como sempre. Mas agora Teresa injeta outros gêneros e ritmos aos seu samba, coisa que vinha sendo rabiscada lentamente em seus discos. É a bossa nova em “Delicada” (Teresa Cristina e Zé Renato), o baião em “Pé do Lageiro” (João do Vale, José Cândido e Paulo Bangu), o ponto de candomblé estilizado em “Nem ouro, nem prata” (Rui Maurity, Júlio do Nascimento, José Jorge e Olívia de Carvalho) e o samba de roda baiano em “Carrinho de linha” (Walter Queiroz), que conheceu a partir de Fafá de Belém. A cantora não esquece seus ídolos e assim canta Paulinho da Viola (“A gente esquece”), Candeia (“A paz do coração”) e até Caetano Veloso (“Gema”). Mostra ainda novas composições próprias como “Fim de romance” (Teresa Cristina e Argemiro Patrocínio), “Senhora das águas” (Teresa Cristina e João Callado), “Saudade de você” (Teresa Cristina e João Callado) e a metalinguística “Cantar” (Teresa Cristina), no qual entoa versos como “Cantar é vestir-se com a voz que se tem / Achar o tom da alegria perdida / E não ter que explicar pra ninguém / A razão desta tal melodia”. O disco acaba em clima de bloco carnavalesco nostálgico, mas não empoeirado, e engatilha três sambas em tom maior: “Fechei a porta” (Sebastião Motta e Delice Ferreira), “Rosa Maria” (Aníbal da Silva e Éden Silva) e “Jura” (Adolfo Macedo, Marcelino Ramos e Zé da Zilda). E o samba segue sem agonizar com a certeza de que é a música popular brasileira por excelência. Leia também
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