A bela e o brega, como alguém já disse
Waldick Soriano em versão digital de luxo
[ 18.out.07 ] Para além de qualquer modinha, o retorno de cantores bregas (leia-se populares/românticos) que fizeram sucesso na década de 1970, tanto em pessoa quantos em tributos, é marco de uma importante quebra de barreiras para a música brasileira. O baiano Waldick Soriano é uma das figura emblemáticas deste movimento e acaba de ganhar um bem cuidado registro ao vivo (CD e DVD) dirigido por ninguém menos que Patrícia Pillar. A atriz, fã confessa de Waldick, encontrou o cantor em um show na cidade de Sobral (CE), onde estava em companhia do namorado Ciro Gomes. Após muitos rodopios no salão surgiu a idéia de fazer um documentário sobre o autor de “Eu não sou cachorro, não” e “Tortura de amor”. O documentário ficou para o ano que vem, mas como um aperitivo surgiu Waldick Soriano ao vivo (Som Livre, 2007).

Gravado em novembro de 2006 no Centro Cultural Sesc Luiz Severiano Ribeiro (ex-Cine São Luiz), em Fortaleza (cidade onde Waldick mora há anos), o show traz um repertório de bolerões clássicos escolhidos a dedo por Pillar e Fausto Nilo. Fora as inescapáveis canções citadas logo acima, o repertório do show traz ainda “O moço pobre”, “Eu também sou gente”, “A saudade que você deixou aqui”, “Paixão de um homem”, “Carta de amor”, “Vestida de branco” (parceria com Sebastião Ferreira da Silva), “Dama de vermelho” (Aldo Benatti e Jeca Mineiro), “Perfume de gardênia” (Rafael Hernandez e Carlos Amercio Rego) e “A voz do povo é a voz de Deus”, que encerra o show em clima de comunhão intensa entre o público e Waldick.

Há muito tempo fora do circuito radiofônico e televisivo, Waldick segue sobrevivendo, aos 74 anos, de shows pelo Nordeste. A saúde já não está tão boa e a voz falha uma vez aqui e outra ali, mas a dignidade de seu canto popular vai muito bem obrigado. E o melhor é que desta vez ganhou produção caprichada, arranjos e músicos de primeira linha, tais como Jota Moraes (piano, regência e arranjos), Nilsinho (trombone), João Lyra (violão e arranjos), Ítalo (acordeon e arranjos), Jorge Helder (baixo), Don Chacal (percussão), José Milton (direção musical), Ivan Paulo e Itamar Assiere (arranjos). Nada mal para quem já trabalhou ao lado do maestro Guerra Peixe (1914-1993). O show traz também a participação especialíssima da cantora Cláudia Barroso, ex-mulher de Waldick e outro ícone popular, em “Você mudou demais”. As dores de amor estão mais vivas e abertas que nunca.
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