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A música popular marciana de Mauricio Pereira [ 18.out.07 ] Quando se fala em música paulistana em outros lugares do país é quase como se falasse que tais sons vêem de Marte. Talvez isso não tenha passado pela cabeça do cantor e compositor Mauricio Pereira, mas é certo que seu novo disco, Pra Marte (Lua Music, 2007), é mais um tijolo na construção dessa identidade fugidia (alienígena?) de que é feita a música popular paulistana. Uma música de todas as caras e nenhuma, com um humor meio discreto ao redor de tudo e um pouco estranha também. E bonita, aliás.
Após uma longa temporada em que se dedicou a interpretar canções de outros compositores e que resultou no divertido Canções que um dia você já assobiou (Lua Music, 2003), o ex-Mulheres Negras volta a abrir seu baú de inéditas. Rocks, toadas, choros, modas de viola, tangos, valsinhas e canções de todo o tipo estão no cardápio e Pereira se cerca de amigos músicos de longa data, tais como Luiz Waack (violões e guitarras), Tonho Penhasco (violões e guitarras), Mano Bap (baixo) e Leandro Paccagnella (bateria), para encontrar uma sonoridade íntima e intensa. É desse jeito que canta São Paulo (“Motoboys, girassóis, etc. e tal”), a nostalgia do campo (“Ser boi”), a alegria de contar um causo (“A loira da Caravan”), o amor (“Trovoa”, “Truques com facas” e “Pra Marte”, esta em parceria com Daniel Szafran), as surpresas da infância (“O dourado” e “Responde Visconde”), italianidades modernas (“Toscana”) e o nonsense (“Um tango” e “Um teco-teco amarelo em chamas”, ambas em parceria com o gaúcho Arthur de Faria e lançadas pelo próprio no final de 2004 no disco Música pra bater pezinho). Ao lado de seu apurado e popular senso de canções, Pereira começa a desenvolver uma relação mais próxima com essa irmã da música, a poesia: fez melodias para os versos apaixonados de Adélia Prado em “Pranto para comover Jonathan” e chamou a poeta Alice Ruiz para recitar versos seus durante o rap-canção “Penhasco”. Disco de surpresas escondidas e aparentes, Pra Marte é registro de um Mauricio Pereira aparentemente mais sério (qual o quê!) e trabalhando cada vez com mais afinco, colado mesmo, nas canções. Coisa de um operário-guerrilheiro de alta patente. E que ainda chama os amigões Skowa, Daniel Szafran e André Abujamra (a outra metade dos Mulheres Negras) em participações especiais. Leia também
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