Os visuais dos instrumentais
Instrumentais: Quintal Brasileiro e Marco Lobo
[ 23.out.07 ] A cena instrumental brasileira não pára e segue em franca diversificação. O selo carioca Delira Música lança Aláfia, a estréia do percussionista baiano Marco Lobo, enquanto o selo paulistano Tamos Aí do músico Mário Manga (Premê) chega com seu primeiro trabalho instrumental, Abstrações, do quinteto de cordas Quintal Brasileiro.

Músico experiente que já trabalhou com figuras como Gerônimo, Margareth Menezes, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Djavan, Gilberto Gil e Lenine, Marco Lobo faz de Aláfia (Delira Música, 2007) um belo apanhado de toda sua bagagem musical. África, Caribe, Bahia, Minas Gerais, pegada pop, balanço, sutilezas, experimentalismos e muitas outras bossas se alternam e misturam em músicas como as excelentes “Lobine” (Widor Santiago), “Aláfia” (Letieres Leite), “Swing na rampa do mercado” (Luiz Brasil e Djalma Oliveira), “Pro Gil” (Beto Lopes) e “Severino” (Widor Santiago), além de uma boa versão da clássica “Saídas e bandeiras” (Milton Nascimento e Fernando Brant).

Ao lado de Marco, músicos como Paulinho Trompete (trompete), Widor Santiago (sax tenor, sax soprano, flautas e arranjos), Kiko Continentino e Hamleto Stamato (teclados), Luiz Brasil (violão e arranjos), Wilson Lopes (guitarra e arranjos), Gastão Villeroy (baixo e co-produtor do disco), Kaká Colon, Lincoln Cheib e Xande Figueiredo (baterias). Participação muito especial e vocal de Milton Nascimento em “O cavaleiro” (Milton Nascimento e Wilson Lopes).

Formado em 2002, o Quintal Brasileiro foi criado para unir o rigor da música erudita com a espontaneidade da música popular. Formado pelos violinistas Luiz Amato (Orquestra Jazz Sinfônica) e Fábio Nascimento (Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e Camerata Brasiliana), pelo violista Emerson De Biaggi, pelo violoncelista Adriana Holtz (Orquestra Estadual de São Paulo) e pelo contrabaixista Ney Vasconcelos (Orquestra Estadual de São Paulo), o Quintal montou em Abstrações (Tamos Aí, 2007) um delicado quebra-cabeças de sonoridades e texturas. Boa parte do repertório foi feito especialmente para o quinteto, com exceção de “Miguel de carrinho novo” (Caíto Marcondes) e “Depois da tempestade” (Mozar Terra), com direito à presença dos compositores durante as gravações para eventuais correções nos arranjos.

Por essas e outras, e após um trabalho que durou três anos, músicas como “Baden” (Luiz Amato), “Conspiração” (Fábio Tagliaferri), “Fade out” (Mário Manga), “Valsa triste” (Teco Cardoso), “Baião para cordas” (Ney Vasconcelos) e “Música noturna e aurora” (André Mehmari, dividida em cinco partes) soam impressionantemente bem resolvidas. Densidade, muito trabalho e emoção são os principais ingredientes do trabalho do quinteto.
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