A moça ao vivo e o filhote
Pitty faz o seu ao vivo e encerra mais um ciclo
[ 24.out.07 ] Em tempos esquisitos, a honestidade é mercadoria rara. Que o diga Pitty, a baiana que se radicou em São Paulo e, após dois bem sucedidos discos (Admirável chip novo e Anacrônico), vive em plena roda viva de rádios e TVs comerciais. Seu rock simples, rápido e de comunicação direta e intensa com o público adolescente vem sendo cooptado por grandes veículos (MTV encabeçando a lista) como um jeito de transformar a moça, que está prestes a completar 30 anos, em um ícone pop domado. Sorte que ela pensa com independência, fala o que quer e aos poucos vem construindo uma carreira de extrema coerência. Para encerrar a segunda fase de sua carreira (a primeira é a do underground punk rock baiano), Pitty lança seu primeiro DVD, {Des}Concerto ao vivo (Deckdisc, 2007), que também chega na versão CD.

Produzido por Rafael Ramos, o registro foi gravado em julho de 2007, em São Paulo, e contou com a presença entusiasmada de 3 mil pessoas/fãs vindas dos quatro cantos do Brasil. Todos os sucessos de seus dois discos estão no repertório: “Anacrônico” (Pitty e Graco), “Admirável chip novo” (Pitty), “Memórias” (Pitty), “Na sua estante” (Pitty) e “Equalize” (Pitty e Peu Souza), entre outros. Cabem ainda duas inéditas, “Malditos cromossomos” (Pitty e Martin) e “Pulsos” (Pitty e Martin). Muito consciente de sua presença no palco, a cantora, guitarrista e compositora passeia tranquilamente pelo cenário gótico do show sem precisar de convidados e nem de sucessos de outros. Ao seu lado, apenas os amigos Martin (guitarra e vocais), Joe (baixo e vocais) e Duda (bateria).

Após a gravação, Pitty confidenciou em seu blog que “todos os que estavam ali dentro pareciam compreender de verdade a nossa história e a nossa alma, a ponto de confiar neles o suficiente pra deixá-los perto, muito perto. (...) Era um mar de gente, caldeirão fervente e em ebulição para todas as direções possíveis. Rodas de pogo, pirâmides e beijos. Palmas, coro de vozes, punhos para o alto. Tudo na sua hora. Até as pessoas que conseguiram driblar a segurança e subir no palco me deixaram orgulhosa e com uma sensação de que ainda há esperança. Explico: ao invés daquela coisa meio constrangedora e chata de tentar me agarrar que só atrapalha o show, eles subiram e deram um mosh pro meio da galera, do jeito que tem que ser. (...) Nós no palco, dando sangue, e cada música era como se fosse a última dessa vida; urgente, desesperado, porém preciso. Estoura a corda da guitarra mas eu estou a vontade, em casa, com a minha galera. Falo o que quero, faço o que dá vontade, sem medo nem vergonha. Eles entendem, eles também são livres. Não reprimo minha ironia e brinco. Não escondo minhas indignações e falo sério. Exposta, aberta, como uma criança que ainda não aprendeu o que é maldade. E ali, depois de alguns anos, eu pude dar um mosh”.
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