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![]() O músico Luiz Ribeiro clicado por Nathalia Guimarães. Logo em seguida, a capa do livro Cantalelê, marco zero do CD Teco-Treco.
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Luiz Ribeiro lança seu 1º CD para crianças [ 20.ago.2009 ] O ano de 1977 assistiu o nascimento de dois discos importantes para as crianças: Saltimbancos (Philips), adaptação de Chico Buarque para o texto de Sergio Bardotti e as músicas de Luis Enriquez; e Sítio do picapau amarelo (Som Livre), trilha sonora do seriado infantil de mesmo nome da TV Globo.
Nesse mesmo ano, nasceu em São Paulo, o cantor, compositor, violonista e produtor Luiz Ribeiro, que na infância ouviu muita MPB e no primeiro semestre deste ano lançou Teco-Treco (CPC-UMES, 2008), CD com músicas autorais e versões em que dividiu o microfone com as cantoras Tatiana Parra e Gisella. A história começou graças ao convite feito pela educadora Sônia Madi: criar músicas que servissem tanto para brincadeiras, quanto para auxiliar a alfabetização. Assim nasceu o projeto Cantalelê, que uniu livro e CD e foi desenvolvido inicialmente para uma rede de escolas privadas. Hoje já está presente em 12 mil escolas brasileiras, principalmente de Minas Gerais, como afirma o material distribuído à imprensa. Com 21 faixas e organizadas em três blocos, Teco-Treco alterna músicas cantadas, versões instrumentais e brincadeiras vocais. Como já dito anteriormente, compila obras inéditas e algumas de domínio público, como “A velha a fiar” e “Mané Pipoca”, ambas cantadas na íntegra. Além destas, o cancioneiro popular se entrelaça instrumentalmente com as novas composições, como em “Assombração” (“Cachorrão que assusta de noite / É um cachorrinho de dia / Late de trás deste muro / E com ele eu faço folia”), que cita “Peixe vivo”. A instrumentação acústica do disco tem como único músico o próprio Luiz Ribeiro, que assume o violão, o baixo, a percussão e a guitarra, que aparece em apenas duas faixas. No site do artista há um ambiente especial do projeto, com todas as faixas do CD em versão playback para download, e as partituras e as cifras das músicas. Graduado em 2002 em Composição e Violão pela Escola de Comunicações e Artes, da Universidade de São Paulo, e atuando no mercado publicitário, Luiz Ribeiro já trabalhou com Dori Caymmi, Herminio Bello de Carvalho, Leila Pinheiro, Zélia Duncan e Toninho Horta. Produziu os discos Divino samba meu, da cantora Dona Inah, Manuscrito sonoro, que acompanhou o livro Timoneiro (Casa da Palavra, 2007), perfil biográfico de Herminio Bello de Carvalho escrito por Alexandre Pavan, e o CD-songbook de Mauricio Tapajós (1943-1995), Sobras repletas (CPC-UMES, 2006). Atualmente, costura um álbum em parceria com Ivan Lins. Leia abaixo a entrevista que Luiz Ribeiro cedeu por e-mail ao Gafieiras. Gafieiras - Quais suas lembranças de música na infância? O que se ouvia em casa e o que você ouvia? Luiz Ribeiro - Na infância, lembro de ouvir, junto de meus pais, os discos que circulavam pela casa: Clube da esquina, muito Milton Nascimento, Toninho Horta, Ivan Lins, Elis, Dori Caymmi, Djavan, Jobim e um pouco de jazz. Lembro-me também de meu pai tocando e cantando - ele não era músico, mas arranhava o violão e era muito ligado ao mundo da música. Meu pai chegou a ter um bar onde havia música ao vivo toda noite. Os principais músicos que passavam por ali eram a Nana Caymmi, o Zé Luiz Mazziotti, Dori Caymmi, Filó Machado e o Ivan Lins. O bar chamava-se Thalassa e durou pouco. O Ivan Lins era uma figura muito presente, ia sempre em casa, e se tornou meu padrinho. Independentemente disso, sempre admirei muito a voz e a música dele. Eu passei minha infância cantando toda a tarde quando chegava da escola. Colocava os LPs ou as fitas e ficava cantando junto querendo ser cantor... Acho que continuo querendo! Quais as vantagens e desvantagens de se desenvolver música para criança ao lado de uma pedagoga? Quais os limites que teve de enfrentar para produzir um conteúdo dentro desse olhar pedagógico? Eu tive muita sorte. A pedagoga que foi minha parceira de trabalho, a Sônia Madi, é uma pessoa que acredita tanto quanto eu que brincadeira e música, quando se tornam atividade pedagógica, perdem o sentido. Ela sempre foi a primeira a dizer, inclusive em suas palestras, que o CD é pra ser ouvido. Este CD nasceu de um projeto no qual um livro o acompanha, e desenvolvido para as Escolas Associadas Pueri Domus. Mas a Sônia tinha liberdade de trabalho neste processo e, por sua vez, me deixou muito à vontade. Ela me dava o direcionamento de certas coisas que queria abordar, mas, em nenhum momento, a música pretende ser explicativa ou didática, muito pelo contrário! Os temas, a musicalidade, a instrumentação, os arranjos, as letras, tudo foi concebido de forma bem livre dentro de alguns objetivos em comum com a proposta pedagógica do livro. E, por isso, funciona plenamente como música, separadamente do livro. Algumas vezes, recebíamos certas "correções" dos revisores do livro quanto às letras de algumas músicas que usam linguagem coloquial ou metáforas um pouco mais complexas, mas nada que precisamos modificar. Em geral, é mais falta de entendimento da liberdade que a poesia permite. Efetivamente, que respostas já teve das escolas que adotaram o CD? Algumas escolas chegaram a me procurar, fiz visitas e toquei informalmente em algumas. Acredito que isso acontecerá mais quando tivermos o projeto de shows para escolas completamente finalizado, que estamos desenvolvendo em três formatos diferentes. Em geral, as escolas sempre nos dizem que as crianças gostam do trabalho, ouvem, cantam as músicas. Quanto ao livro e à sua parte pedagógica, também tivemos ótima resposta, tanto das crianças, quanto dos professores. Sinto que muitas escolas devem estar sempre em contato direto com o Pueri Domus, que editou o livro. É uma pena que não tomemos conhecimento desses diálogos. Seria interessante. Como foi esse processo de inclusão do disco em mais de 12 mil escolas? Esse processo foi uma licitação conseguida pelo Pueri Domus com o Governo de Minas Gerais. Lá em Minas, todas as escolas estaduais e municipais adotaram o livro, porém, nas escolas que visitei, no sul de Minas, a maioria delas não tinha mais do que um ou dois exemplares da publicação, o que é terrível. Uma enorme falha do governo mineiro. E mesmo assim, estavam se virando para utilizá-lo. Você tem a intenção de se firmar como um autor de música para criança, como fez Hélio Ziskind e Paulo Tatit, com produção constante? Ou, trabalhos como o disco Teco- Treco são pontuais? Não sei. Não pretendo fazer apenas música para crianças. Continuo firme com meu trabalho de arranjador, compositor ou produtor na música "adulta". Os trabalhos para crianças começaram em 2001, sempre em projetos fechados para empresas, governo ou escolas, e se tornaram uma grande paixão. Tenho muita vontade de continuar. Adoraria conseguir fazer as duas coisas, e acho possível. Paulo Tatit tem um trabalho que admiro muito. E sou fã incondicional do Hélio. Hoje existe um pequeno, mas consistente, mercado de música para crianças, com trabalhos periódicos de artistas como Ziskind, Palavra Cantada e Bia Bedran, e ocasionais como do Zé Renato e Adriana Calcanhotto. Quais são as dificuldades e as vantagens de lidar nesse cenário? Sim, esse mercado hoje existe, sem dúvida. Acho que é quase o último remanescente de um mercado firme, embora ainda reduzido, que consome música no Brasil. Diante do mercado musical do jazz, da MPB, ou ainda da música erudita, no Brasil, o trabalho de música para criança ainda circula com mais facilidade, tem mais apoio e interesse da mídia e um consumo maior de CDs. Nós, praticamente, esgotamos a primeira tiragem do disco e ainda nem fizemos shows. O CD nem chegou em todas as principais lojas por problemas de distribuição da gravadora. Se fosse um disco de música instrumental, não teria acontecido nada disso! Como os trabalhos de artistas contemporâneos e daqueles que marcaram a produção infantil em décadas passadas pesam na construção das suas músicas? Acredito que as minhas influências são as mesmas para qualquer tipo de música que faço. Acho que o Teco-Treco é tão repleto de Clube da esquina e Dori Caymmi, quanto de Sítio do picapau amarelo. Nunca diferenciei muito os estilos e as fronteiras das músicas que ouço e, que, por consequência, me influenciam. Cheguei a ouvir muitos trabalhos para crianças, mas gostei de pouca coisa. Além dos já citados Hélio Ziskind e Paulo Tatit, e dos LPs da minha infância, pouca coisa da área infantil me influenciou. Ouvi apenas uma vez o trabalho da Adriana Calcanhotto e me pareceu bem interessante. Os discos do Zé Renato gosto sempre. Zé é um amigo muito querido. Qual é a célula para que a criança se identifique com uma música? Não faço a menor ideia, mas dentro do estilo que componho, já comecei a desenvolver um "faro" para isso. Mas é difícil explicar em palavras. Uso percussão mais "palpável", como sons de brinquedos nas músicas. Gosto muito de trabalhar com várias camadas musicais simultâneas, porque isso provoca a criança, a curiosidade e o ouvido! No Teco-Treco, em cada arranjo há uma música do folclore infantil brasileiro escondida, tocada por algum instrumento. Às vezes, pode aparecer como uma melodia de introdução ou de encerramento da canção; outras vezes está no meio do arranjo, como se fosse um contracanto. Além disso, gosto de adicionar elementos que conversam e se contrapõem aos outros. Tem criança que percebe conscientemente, tem criança que sente, outras, não, mas está lá. Não atrapalha as (crianças) que não ouvem, mas é um mundo a mais a ser descoberto. (...) Tenho muitas letras que somente as crianças entendem. Os pais e professores demoram muito e, em geral, não pescam todo o sentido. Outra coisa importante é fazer uma música que agrade às crianças e aos adultos. Em geral, se o pai não gosta, a criança também não vai gostar! Faço com toda sinceridade. Tenho que terminar de compor ou de gravar a música com muito brilho nos olhos. Se eu não me encantar, não vou levar a música pra nenhuma pessoa ouvir! Leia também
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