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Latino e seu pop caradura [ 07.set.2009 ] Só precisam poucos segundos do DVD Junto e misturado – Fazendo a festa (Som Livre, 2009) para uma certeza: a cara-de-pau de Latino é admirável. O carioca conseguiu se reinventar nos anos 2000 como um Sidney Magal, sexualizado, brincalhão e dançante. Aí ele vai até Ribeirão Preto, em um lugar chamado Taiwan Centro de Eventos, para registrar um show totalmente maluco, cheio de luzes, dançarinas, coreografias escalafobéticas, uma banda tocando pra valer e um time de convidados que serve como boa amostra do atual pop das rádios populares (ou pelo menos da rádio de sua cabeça). Latino não se abala com o chão xadrez do palco e nem com a alta velocidade do repertório. Ele vai.
A loucura começa com uma versão remixada do Hino Nacional com direito a dançarinos e trechos dos grandes sucessos de Latino. E lá vem o homem num pot-pourri acelerado com “Festinha privê”, “Vagalume”, “Papo de jacaré” e “Renata”, pra finalizar com “Cátia Catchaça”. Faz uma média com a plateia ribeirãopretana chamando a dupla André & Adriano para um cruzamento bizarro em “Pancadão ou sertanejo”. Sem dar um tempinho pra respirar, engata seu mais recente sucesso, o reggaeton “Amigo fura-olho (Ella y yo)”, em dueto cornudo com Daddy Kall (e muito teatral, afinal entram seguranças pra separar os dois e acontece uma reconciliação com mediação do público). E a galera urra a plenos pulmões. A conversa de amigo segue em “Ponto final” com a presença de D’Black. Já disse que Latino é cara-de-pau? Então, o sujeito chama Pimpolho (Art Popular) pro samba pop de “Me divirto com as erradas” e Perlla para “Selinho na boca (Simarik)”, pancadão com ares árabes e bateria de reggaeton (o ritmo mais recorrente do show). Faz algum sentido? Talvez faça e não somente para o próprio Latino. Ele, por exemplo, gosta de fazer versões, sem crise, numa boa. Encara “Sem noção (Shark around)” com espírito trapalhão. Também manda um pianinho safado ali, um violão descarado acolá (em outro pot-pourri com “Só você”, “Me leva” e “Vitrine”), e todos se divertem aos montes. “E agora, a nossa atração internacional: Double You!”, quer dizer... as surpresas não param de cair sobre nossas cabeças (ah, o cara vem pra cantar “Shining star” logo após “Meu gol de placa”). E, sei lá, de repente aparecem duas moças, que o encarte do DVD as chama de Dolls, para a dobradinha “Infernizar você” e “Tô nem aí” (aquela cantada por Luka e que tem Latino como um de seus autores). Agora, enquanto o show se aproxima do final, Latino passa a jogar pesado. Refaz com peruca black “Festa no apê (Dragostea din tei)”, a música que lhe tirou do ostracismo, e depois se infantiliza com gosto em canções da década de 1980, engatilhando “Superfantástico”, “Uni-duni-tê”, “He-Man”, “O carimbador maluco”, “Ilariê” e “Tindolelê”. A costura de todo esse repertório é feita na base da energia, não tem nada mais que dê liga, porque somente assim pra entender o “gran finale” com o Tim Maia de “Não quero dinheiro (Só quero amar)” e os Mamonas Assassinas de “Pelados em Santos” e “Vira-vira”. Entendeu? Só vendo. Entre os extras, mais encontros e reencontros: tem a “latinizada” - desculpem o trocadilho - “Arregaçando a choppeira (La botella)”, com participação do rapper Kilve Costa; “Altos a baixos”, uma sequência de “Amigo fura-olho”, com o mesmo Daddy Kall; outro dueto com Perlla em “Se vira”; “Isabel”, uma espécie de afoxé pop com participação do produtor Mister Jam; o casal Joelma e Chimbinha, da Banda Calypso, em “Propostas indecentes (Oduzimas mi dah)” -, rock de teclados e metais (vídeo abaixo); e “Caça-fantasma”, versão pirada e caradura do tema do filme homônimo com participação de Buchecha. E, pra finalizar de verdade, ainda nos extras, Latino explica o trabalho e de quebra abre seu coração após 16 anos de carreira: “Eu nunca busquei estilo, tendência. Sempre busquei fazer músicas que tem a ver com o nosso cotidiano. (...) O Latino é isso: é alegria, é felicidade, é brincadeira, é zoação, é curtição”. Quem há de duvidar? Leia também
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